terça-feira, 8 de maio de 2018

MOGLIA


JOÃO CAMPEIRO A VOZ SERTANEJA DE SÃO MANUEL

Quem visita a cidade de São Manuel tem em mente e já ouviu falar que é a terra de Tonico e Tinoco, no entanto, o município que muito contribuiu com gente de qualidade em todas as áreas também contribuiu na área sertaneja, não! São Manuel não é a terra somente de Tonico e Tinoco, embora estes são expoentes do mundo no que tange à música sertaneja brasileira, mais devemos aqui relevar homenagens a João Campeiro que em sua época era tão importante e famoso quanto.
João Batista Moglia (João Campeiro) nasceu em São Manuel em 24 de junho de 1941, ganhou de seu pai Gaudino, aproximadamente aos 9 anos, seu primeiro instrumento que foi um cavaquinho e logo aprendeu a tocar, a música já estava no sangue. Nesta época ele já cantava com seu irmão Lucio Moglia.
João Moglia iniciou sua carreira formando dupla com Zé Trigueiro. A dupla era chamada de “Zé Trigueiro e João Batista e ficou conhecida pela música “Volta por Cima” (1964), musica esta que era de autoria de João sendo gravada no ano de 1964, tal canção ganhou o troféu Chapéu de Palha. Posterior a isso a dupla se separou João Moglia passou a cantar solitário e procurando um parceiro para a formação de nova dupla, quis o destino que na sede da UASP num ensaio de roda de violeiros fossem colocados frente a frente João Moglia e Garcia, ambos chegaram à conclusão que poderiam formar uma dupla.  Assim na década de 60 nasceu a dupla Garcia e João Campeiro.
Esta foi na sua época uma dupla vencedora que fazia muito sucesso e gravaram vários discos, deixou a carreira em 1972, seu filho José Moglia em seu Blog “José Moglia Gospel” faz está ressalva:   “Sem dúvida nenhuma a dupla formada com o Garcia foi uma das maiores sensações dessa época de ouro da música sertaneja Brasileira, são a referência para muitas duplas raízes até os dias de hoje, embora não seja tão citado como Tião Carreiro e Pardinho, pois saiu de cena (deixou de gravar e cantar profissionalmente em 1972), mas eram seus amigos e nem por isso deixou de cantar, pois em casa tínhamos o prazer de ouvi-lo todos os dias, e como era bom vê-lo usar o maior dom que recebeu de Deus, o dom de cantar e compor, sinto saudades dessa época maravilhosa (...)” João Campeiro enfrentava nesta época uma grave doença onde ficou Cego e Surdo. O blog Recanto Caipira no texto elaborado por Sandra Cristina Peripato descreve os últimos momentos de João Campeiro:
A conversão ao Evangelho, Deus mudou a história do então famoso João Campeiro, em seus últimos dias de vida se converteu, e gravou com seu filho José Moglia uma música da Shirley Carvalhais, "Árvore da cruz" (que foi gravada em 12 de julho de 1992), e após essa gravação na mesma semana ele perdeu sua voz. ”
João Campeiro faleceu em 26 de outubro de 1992, a voz do poeta se calou. São Manuel tem esta dívida em homenagear seu filho que há muito levou o nome de nossa cidade nos rincões do Brasil. Certamente é uma dívida que nosso município deve a este que foi um dos grandes da nossa música sertaneja de raiz.
Não podemos mais tratar estes grandes homens com a pequenez do esquecimento.
Seu filho José Móglia descreve em seu blog, sua trajetória e a importância deste homem para a música brasileira uma carta in memoriam, emocionada:



“São Paulo, 26 de outubro de 2013.

Carta à João Campeiro, pai, marido, trabalhador, músico, cantor e amigo!!  (In Memoriam - 24/06/41 à 26/10/1992).

Sei que não podes lê-la agora, mas na eternidade vou poder vê-lo e dizer pessoalmente o quanto o amamos em vida, e como foi bom tê-lo como o sacerdote e cabeça de nosso lar, sem dúvidas tivemos um grande homem que viveu entre nós.
Pai querido e amado, minha alegria é escrever sabendo que estás com Cristo, vivo e certamente nos aguardando, digo a ressurreição dos mortos, quando Deus nos dará o privilégio de termos um corpo ressurreto, restaurado e glorioso, e aí vou vê-lo e nos alegraremos porque nossos nomes estão escritos no livro da vida (nós que cremos e aceitamos Jesus Cristo como salvador de nossas almas) e breve chegará o tempo em que estaremos para sempre com o Senhor!

Em quanto isso, como não lembrar depois de 21 anos de alguém tão especial?

Um ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, o ser mais especial de Deus, único, desenhado pelo dedo divino, porém como todo homem que veio após Adão, somos pecadores, sujeitos aos pecados e a termos erros e acertos, sonhos e esperanças, dificuldades e bênçãos, mas graças a Deus que nos cercou com sua eterna e bondosa graça em Cristo Jesus que nos amou e nos escolheu desde a eternidade. Certamente é algo bom relembrar de cenas e momentos especiais vividos em família, quantas noites nós (filhos), juntos com a tia Iracema (in memoriam), tio Milton, vô Gaudêncio (in memoriam), tio Lúcio (in memoriam), e os nossos queridos primos sentávamos todas as noites e proseávamos, e até altas horas ríamos e falávamos da família em geral, do passado, de histórias do interior vividas por vocês, e dos momentos em que o senhor era sucesso no Brasil, de quando cantou o “pagode de Brasília” no palanque onde Juscelino Kubitschek  discursava em Brasília e como sacudiu Brasília com a música sertaneja raiz, onde brasileiros cheios de sonhos e esperanças o ouviam sobre suas expectativas ao Brasil, ou mesmo quando a tia Iracema falava de quando se apresentou no circo da Vila Brasilândia e simplesmente não tinha lugar, pois todos queriam te prestigiar e vê-lo, desse disco “Vencendo Sempre”, a onde a música “Arrependida” tornou-se  um clássico pelo mundo a fora, e o “pagode dos treze” que foi uma música engraçada e um sucesso mesmo
diante de um   número que para muitos era considerado azarado, e também de suas viagens por todo Brasil, e de quando ia e voltava sem documentos, sem os ternos (isso aconteceu várias vezes), mas de todas suas aventuras pelo Brasil e fora em outros países da América do Sul, também lembro (dos relatos contados por tia Iracema, minha mãe e por você “João Campeiro”) do saudoso programa “Festa na Roça” a onde se apresentava em todos os domingos e inclusive a música “Chaves do Apartamento” do disco arrependida que era uma febre, ao chegar no palco as pessoas pegavam suas chaves e balançavam, pena que os arquivos da rede Record (TV Tupi) se perderam num incêndio, puxa como faz falta essas fotos e gravações que se foram!.

Bons tempos em que Garcia e João Campeiro eram o ponto alto da rádio Tupi, programa que ia ao ar todas as manhãs em São Paulo, às 7 horas, cantavam ao vivo, algo inédito na época (no Brasil), saudades de nossos papos em que falava que muitas duplas chegavam a gravar a mesma música por de 20 vezes, e como vocês tinham facilidade e que sempre na primeira passada já gravavam, e de como mencionava que muitas duplas eram tão boas e capazes, porém que não tiveram a mesma sorte que vocês, e  como tinha uma consideração muito grande pelos amigos, mesmo depois de muitos cantores famosos que não saiam de casa terem desaparecido, mas mesmo assim nunca guardou mágoas. Saudades daqueles momentos em que minha mãe relatava que ensaiavam em casa e o vô “Careca” o Sr. José Amâncio (recebi meu primeiro nome em honra ao
meu avô por parte de mãe) vinha em casa só para vê-los, pois gostava demais dos ensaios, Como queria poder assistir e vê-los cantar e encantar, mas em fim ficaram saudades dos momentos “em casa” quando pegava a caixinha de fósforo e fazia um ritmo de pagode, e quando cantava como se estivesse num palco, com tanta emoção e perspicácia que tocava quem o ouvia de longe. Contudo o que mais me marcou foi sua humildade, simplicidade, o ser digno, trabalhador, responsável e por amar minha mãe. Graças a Deus pelo amor que nos deu durante o tempo que tivemos a possibilidade de viver contigo, Pai, João Batista, conhecido como João Campeiro, mesmo depois de 21 anos após seu falecimento, minha impressão é a de que foi ontem que conversávamos e te via cantar música sertaneja raiz, que o ouvia rindo, pois era muito brincalhão, e nunca me esquecerei de que me chamava de “Zé Capitão”, apelido carinhoso que usava ao se referir a mim, só posso concluir dizendo que também foi linda a história de amor onde minha mãe (Maria Helena) “fugiu” de casa para viver ao seu lado lindos 28 anos, e sem dúvida nenhuma essa mulher guerreira nunca deixou de cuidar de todos nós, minha mãe amada é uma grande mulher, simples, humilde e transformada pela graça de Deus. Puxa que família extraordinária, não somos perfeitos, mas algo que aprendi com essas pessoas sensacionais, é que vale a pena o amor, os valores que recebi, as alegrias vividas, isso mesmo não sendo ricos ou não tendo glamour ou fama, mas ser feliz por saber o real valor de uma família digna (pai, mãe, avô, tio, irmãos e irmãs e outros parentes maravilhosos) (...)”.



DISCOGRAFIA


VÍDEOS









Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem sou eu

Minha foto
Eduardo é formado em direito pela Faculdade de Direito de São Carlos, formado em administração geral pela Faculdade Marechal Rondon, MBA em gestão estratégica de negócios pela Uninove. Foi professor em gestão empresarial na Unifac/Botucatu, profere palestras de gestão de pensamento, escritor, documentarista, Escreveu também uma coluna sobre empregabilidade no Jornal o Debate de São Manuel nos anos de 2013 e 2014, escreveu para a revista UP Cueta de Botucatu. Criador de um método próprio de ensino profissionalizante em gestão administrativa e empresarial Documentarista e pesquisador histórico. Presta consultoria na área de gestão patrimonial. Escritor é membro correspondente da Academia Botucatuense de Letras.